Líder de facção em presídio de GO diz que pagou R$ 100 mil para fugir

Criminoso foi encontrado em apartamento de luxo na região dos Lagos no domingo (7/1)

Preso na manhã de domingo (7/1) em um apartamento de luxo em Cabo Frio (RJ), o homem apontado como principal chefe da facção Comando Vermelho no estado de Goiás revelou, nesta segunda-feira (8), que pagou R$ 100 mil para fugir do complexo penitenciário de Aparecida de Goiânia (GO), em novembro de 2017.

As autoridades atribuem a Stephan de Souza Vieira (foto), o “BH”, de 34 anos, a responsabilidade pelas rebeliões ocorridas na unidade prisional goiana, onde cumpria pena desde 2014 por diversos crimes. Uma investigação em curso busca saber se houve facilitação em sua fuga naquela oportunidade. “Ele afirmou que pagou esta quantia, agora vamos descobrir quem estava envolvido nesta fuga”, afirmou a delegada Myrian Vidal.

Stephan é acusado também de ter ordenado uma série de assassinatos na disputa por pontos de vendas de drogas em Goiânia. Condenado a 26 anos por tráfico de drogas, ele cumpria pena no regime semiaberto.Em Cabo Frio, Stephan e a esposa levavam uma vida de ostentação. Moravam numa cobertura no bairro Vila Nova, com veículo de luxo na garagem, e tinham aproximadamente R$ 7 mil em um cofre na residência. No local, também foram encontrados diversos aparelhos de telefone celular, jóias e cadernos com a movimentação do tráfico de drogas.

A captura do criminoso foi resultado de uma operação conjunta da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) e da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil do Rio, com suporte da Polícia Civil de Goiás.

Rebeliões
A prisão ocorreu após três rebeliões no presídio de Aparecida de Goiânia. O primeiro motim foi registrado na tarde de 1º de janeiro. Conforme informações da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP-GO), presos da ala C invadiram as alas A, B e D. A motivação dos ataques seria uma rixa entre grupos criminosos. Nove detentos morreram carbonizados – deles, dois foram decapitados –, 14 ficaram feridos e mais de 80 continuam foragidos.

A confusão ocorreu exatamente um ano após a rebelião no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. Na ocasião, mais de 60 detentos foram executados em um confronto entre as facções PCC e Família do Norte. O episódio deu início a uma crise penitenciária nacional, que culminou em rebeliões em Roraima e no Rio Grande do Norte, conforme o Metrópoles mostrou na reportagem especial “As faces das chacinas no cárcere”.

Também no primeiro dia de 2018, as autoridades de Goiás registraram início de revoltas em outras duas cidades do estado: Santa Helena e Rio Verde. Na terça-feira (2/1), dois servidores do sistema penitenciário foram assassinados a tiros em Anápolis (GO).

O Sindicato dos Servidores do Sistema de Execução Penal de Goiás (Sinsep-GO) chegou a alertar sobre a possibilidade de novos motins em outras unidades prisionais da região. Entre os presídios em risco, segundo a entidade, dois estão no Entorno do DF: o de Luziânia e o do Novo Gama.

(Com informações da Agência Estado)

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